Os adultos precisam de reaprender a brincar

Como é que, enquanto adultos nos podemos incentivar a brincar e a brincar com os nossos filhos?
Frequentemente os adultos sentem-se cansados, com baixa autoestima e pressionados com as obrigações que têm com o mundo e com os filhos. Quando nos encontramos mergulhados nestas circunstâncias, a brincadeira contribui para o nosso bem-estar.

O que é que o brincar pode fazer pelo nosso cérebro?
Ao longo dos últimos anos, foram feitas diversas pesquisas ciêntíficas dedicadas a este tema. O poder da brincadeira é muito importante, não só para o desenvolvimento das crianças, mas também para melhorar a qualidade de vida dos adultos.
Um desses estudos é conduzido pelo psiquiatra Dr. Stuart Brown, fundador do The National Institute for Play (Instituto Nacional para o Brincar). Ele começou a estudar o tema quando percebeu que os grandes criminosos da história mundial tiveram uma grande carência durante a infância – a falta de brincadeira.
“Uma coisa muito peculiar sobre a nossa espécie é que fomos concebidos para brincar durante toda a vida”, destaca Brown. Segundo ele, a base da confiança humana é estabelecida a partir dos sinais de brincar: o tom de voz, gestos corporais e expressões faciais. Todavia, nós vamos perdendo essa linguagem à medida que nos tornamos adultos.
“Nada ilumina o cérebro tanto quanto brincar. Brincadeiras tridimensionais ativam o cerebelo, mandam vários impulsos para o lobo frontal (a parte executiva do cérebro). O brincar ajuda o desenvolvimento da memória contextual, entre outros benefícios”, explica ele.

Privação do Brincar
Dr Stuart Brown acredita que a privação do brincar pode ter consequências tão sérias quanto a privação do sono. Em diversos restudos, concluiu que a incapacidade de brincar impede os mamíferos de controlarem a agressividade e de socializar com membros da matilha.
É importante interiorizar que o oposto de brincar não é trabalhar, é a depressão. Devemos encarar a brincadeira como exercício para a nossa mente, para o nosso bem estar e para termos uma maior qualidade de vida.
O Dr. Stuart Brown menciona no seu livro o seguinte: “Quando paramos de brincar, paramos de nos desenvolver, e quando isso acontece, as leis do caos assumem o controlo e tudo se desmorona.

Brincar também oferece benefícios como construção de confiança, empatia, otimismo, flexibilidade, abertura, foco no presente, perseverança, equilíbrio emocional e resiliência, explorando o desenvolvimento cognitivo e desenvolvendo uma sensação de pertença.
Existem vários pontos em comum entre o brincar da infância e o brincar da vida adulta. O brincar adulto é amplo, tem características próprias e, entre outras coisas, tem a ver com um conceito chamado Playfulness, ou seja ser “brincalhão” ou ser jovial.
Quando temos filhos é muito importante reaprendermos a brincar com eles. Fazer brincadeiras como moldar plasticina, brincar às escondidas, fazer uma corrida, fazer um desenho, inventar canções ou dançar sem motivo aparente, são coisas que nos fazem felizes e ajudam os nossos filhos a aprender a importância do brincar. É urgente brincar com os nossos filhos. Por eles e por nós.

Contudo, a brincadeira está a ser substituída por outra necessidade: a aquisição de conhecimento. No entanto, é preciso fazer uma pergunta muito importante: Que conhecimento é este que não pode ser adquirido através da brincadeira?
Brincar é fundamental para o cérebro da criança, é uma das actividades mais importantes que uma criança pode fazer. Através da brincadeira aprendemos a dominar o nosso corpo, as nossas emoções, aprendemos a criar estratégias, aprendemos a colaborar, e a relacionamos-nos com os outros. Brincar aumenta os laços entre seres humanos. É uma oportunidade única para forjar amizades para a vida.